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O Registo Civil espanhol como elemento castelhanizador

Após ler esta interessante entrevista n’ANT vejo confirmada uma das minhas velhas crenças: a criação do Registo Civil foi um dos mais importantes elementos castelhanizadores (ou espanholizadores, se o preferirmos) da sociedade galega.

Por uma parte, porque homogeneizou à espanhola a forma e critérios de escolha e colocação dos apelidos. Pola outra, porque favoreceu a sua tradução ao castelhano (Rivera por Ribeira, De la Fuente por Da Fonte…) ou a burda castelhanização (Otero por Outeiro, Montoto por Montouto, Tejeiro por Teixeiro…).

Já que estamos aqui, é de salientar que pouco se tem dito da importância que teve a homogeneização à espanhola para visualizar a perda dos apelidos galegos, progressivamente sendo substituídos por outros coincidentes com o espanhol ou espanholizados.

Nos duzentos anos que leva funcionando o Registo Civil espanhol, os apelidos galegos mais frequentes foram sendo progressivamente os Rodríguez, López, Gómez ou García, todos eles coincidentes em galego ou castelhano (para lá da grafia, que tanto faz Rodríguez como Rodrigues ou García para Garcia… sempre que tivéssemos uma ortofonia, que não é o caso). A substituição é ajudada também polo menor peso da população galega entre a espanhola e a perca paulatina da ‘tradicional’ endogamia galega.

Nada disto se passou em Portugal, e apesar de Rodrigues ser um dos apelidos mais frequentes (3,59% em 2004), está a bastante distância dos Silva (9,44%), Ferreira (5,25%), Pereira (4,88%) ou Santos (5,96%)

Como exemplo, a frequência destes apelidos entre a população galega é de: Rodrigues (0,03%) / Rodríguez (8,68%), Silva (0,52%), Ferreira (0,29%, mas neste tipo de apelidos é mais frequente no país a variante masculina: Ferreiro, 0,63%), Pereira (0,89%, a forma masculina (0,2%) e Santos (0,67%, salientando o 0,013% para Dosantos e 0,06% para Dos Santos).

Como dizia, a imposição do Registo Civil forçou a que a transmissão tradicional dos apelidos que havia na Galiza (coincidente com Portugal) se substituíra pola castelhano-espanhola, o qual obrigou a colocar em primeiro lugar o primeiro apelido do pai, e em segundo lugar o primeiro da mãe.

Por sorte, quase duzentos anos depois, a lei 40/99 de 5 de Novembro flexibilizou a norma existente, e permite aos pais pactuarem previamente a ordem dos apelidos, mantendo igualmente algo que já havia desde a década de 50, que é a potestade dos filhos de alterarem a ordem após a maioria de idade.

Desde colectivos normalizadores têm salientado o interessante desta modificação legal, já que o seu uso extensivo permitira a pervivência de apelidos genuinamente galegos mas muito infrequentes. É o caso de apelidos como o meu, do que há pouco mais de um cento em todo o país.

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A minha língua quero na tua boca

A minha língua quero na tua boca
e nos teus lábios nos teus peitos
E no país inteiro do teu sexo
falar com o idioma que nos pertence
Procurar a humidade com a língua que nos une
para dar-lhe nome ao teu corpo
e repetir em cada rio em cada bosque
em cada outeiro da tua geografia
a promessa de quem ama sem palavras
Com o silêncio das estrelas, tam longínquo e singelo

Um poema do Igor Lugris.

Eu também faço Google Bombing descarado

Somo-me à ideia d’O Demo :D

Visitem se podem o novo blog de Marta Rivera de la Cruz. Sim, de Marta Rivera de la Cruz, sim de Marta Rivera, Rivera de la Cruz. É genial e mais divertido do que o “oficial”, e di as cousas mais claras…

E se gostam, recomendem este blog no seu próprio.

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Palavras polissémicas e precisão linguística [I]. Hoje, “colgar” e “pendurar”

Leio este titular: «Dous independentistas catalães, colgados de um guindaste na Sagrada Família».

Após a leitura fica a seguinte dúvida:

1.- Foram esses independentistas “colgados” talvez por uma horda de fascistas ou…

2.- Foram os próprios independentistas quem decidiram pendurar-se da Sagrada Família?

Neste caso, e já que o colgamento foi cousa dos próprios protagonistas da notícia, deveria conjugar-se adequadamente o verbo e, ainda, utilizar a forma reflexiva, mudando “colgados” por “colgam-se”.

Ainda, o verbo colgar é polissémico, podendo ter os seguintes significados:

  • ornar com colgaduras
  • pendurar
  • enforcar
  • imputar, atribuir a alguém algum acto censurável ou algum dito punível
  • estar uma cousa no ar pendente de outra

Assim as cousas, provavelmente o mais adequado seja utilizar um verbo mais preciso e menos polissémico, como é o caso de pendurar (prender algo de jeito que não toque no chão). Portanto, na minha opinião, o titular mais correcto seria: «Dous independentistas catalães, penduram-se de um guindaste na Sagrada Família».

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‘O Pasquim’ n.º 10 — Crise? Que crise?

Com a entrada no forno do número 10 d’O Pasquim (sítio oficial, sítio oficioso), volto ter uma escusa para actualizar este blogue, que polos vistos deixei um bocado abandonado no mês de Abril :D

O número 10 leva por título «Crise? Que crise?», uma pequena reflexão sobre a crise ligeira desaceleração económica que estamos a viver no último ano (especialmente acrescentada desde o 1 de Janeiro de 2008).

Neste número colaboram os já habituais Suso Sanmartin (quem, ademais, coordena), Pestinho +1 e Maceirax, assumindo o incansável Xico Paradelo a coordenação adjunta… e quem lhes escreve, pois perpetrando maquetando, mais um número. Comprovariam que a nómina de colaboradores sofreu uma ligeira redução neste número, mas é que crise afecta todos por igual ;)

E para finalizar o artigo, cá coloco parte de uma charge que fez o colectivo Pestinho +1 para o nosso suplemento de humor favorito. Já indico que é parte, concretamente a parte superior (clicai para ampliar) :D

E lembrai: 25 de Maio, saímos do armário!

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Vamos a sério, Píchi, vamos a sério :O)

:: josé ramom pichelDiz o amigo José Ramom Pichel Campos em Vieiros:

Minha mai Mari Carmen Campos e minha tia sempre se perguntam porque escrevo tão esquisito, quando poderia ser como o resto, aprender, ser boinho e sobretudo escrever bem. Têm razão, as mais sempre querem o bem para os seus filhos, e eu como muitos amigos, amigas, colegas e subcolegas poderia escribir ben sen problema, seguir os ditados do correcto, dicir os reintegracionistas nas cafetarias universitarias que estou dacordo con eles, que si home si, que tender pontes culturais co Brasil sería unha boa oportunidade para a lingua e por tanto para os galegos, pero que queres che diga, temos unha norma, hai que ser disciplinados, a lingua está mal mas debemos facer país, falar galego para facer idem e xogar a ser xenerais Custer, morrendo cos socos postos.

[O itálico é meu para separar a parte isolina do texto da reintegrata… licenças que tomo por ser meu o lbogue :D]

Falou o Píchi e falou bem. Mágoa que alguns radicais não escuitem (neste caso, leiam).

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O galego para Anxo Quintana vs O galego para os reintegratas

O galego para Anxo Quintana…

Anxo Quintana dixit: «¿Para que serve o galego? ¿E para que serve unha nai de 82 anos, con párkinson e incapaz de moverse? Coidámola para que viva o mellor que poida porque é a nosa nai. Pois o galego coidámolo porque é noso e por principios».

… e o galego para os reintegratas:

:: ai, sua garotchiiiinha

Notável diferença :D!!

NOTA: post inspirado por e dedicado ao Miguel, o Suso, o Píchi, o Ramom, o João e o Eduardo.

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As vantagens de ser reintegrata

Após falar de alguns custos, a seguir vou enumerar algumas vantagens de ser reintegrata:

  • expando os meus limites de expressão de uma comunidade de menos de três milhões de pessoas a uma global de quase 200 milhões
  • a palavra percebes adquire novos significados para mim
  • os grelos também recolhem outros matizes (por outra parte, tampouco desconhecidos na Galiza :p)
  • derrubo algumas fronteiras (e alfândegas) mentais, o qual me permite abordar os temas com menos preconceitos, mas ao tempo com grande cepticismo
  • ao ser reintegrata não apenas reintegro o galego ao tronco comum galego-português, mas penso a sociedade galega de jeito re-integrado (duplamente integrado, vamos)
  • ligado com o anterior, mantenho as amizades feitas de quando era isolo e, ao tempo, fui tecendo outras mui boas amizades (os reintegratas são uns cachondos, XD)

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