Archive for apóstata
Janeiro 7, 2008 at 21:23 · Escrito em apóstata · a choutar!
Acabou o Natal. Por fim posso dizer em voz alta e sem medo de ser chamado de… dissidente!, que odeio o Natal. Basicamente odeio-o porque:
- É uma época do ano que nos vendem para estar em família. Pois com trabalho polo meio é complicado, mesmo estando em férias (tinha de ter estudado para outra cousa).
- É uma época de reflexão interior. Pois a crispação (política e nem só) continua também nestas datas.
- É uma festividade de carácter religioso que somente se dá uma vez ao ano. Pois menos mal, porque entre que a campanha de anúncios começa na última semana de Outubro e os decorados duram quase até Fevereiro, o que deviam ser 2 semanas deixa-se ver quase três meses.
- O que importa é a intenção. E será, mas… presenteia alguém apenas com (boas) intenções! Nada, materialistas!! E ala, dinheiro e dinheiro que se gasta. Entre isso e…
- … que os últimos dados do IPC se dão em Dezembro, pois nada, somam-se os gastos do que se merca nas férias porque antes não houve tempo e mercar algum presente, adereçado isto com a suba do custo da vida, e o dinheiro derrete-se como a manteiga.
Conclusão: odeio o Natal, como bem diz esta pintada situada, curiosamente, sobre os restos do Compostela 100% em galego (pintada inócua que não durou nem uma semana, enquanto esta vai já para três).

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Etiquetas: cristianismo, festas, natal
Janeiro 25, 2007 at 18:43 · Escrito em apóstata · a choutar!
As escolas, certamente, são templos do saber, ou ao menos essa é uma das funções que deveria ter. O saber abrange todo tipo de disciplinas. Dentro destas temos de diferenciar as científicas e técnicas (de carácter universal) e as sociais e humanas (que variam em função do país). Assim, por exemplo, a Biologia ou a Matemática têm os mesmos métodos e conteúdos na Itália ou no Brasil. Porém, a Literatura ou a Geografia adaptam-se a cada realidade: Literatura Galega, Literatura Inglesa, Geografia (da Alemanha, da Grécia, da China…).
Todas essas disciplinas têm em comum que se baseiam no real, no existente, em factos comprováveis, agás quando se fala (e sempre explicitamente) das Teorias. Uma outra questão é já a religião, que dificilmente poderíamos chamar disciplina (sim o é, porém, a Teologia), mas um conjunto de saberes, de modos de encarar a vida, e sempre com uma interpretação muito subjectiva (às vezes, mesmo reaccionária).
A obriga dos mestres é educar numa série de valores universais (a tolerância, o respeito, as boas formas, a amizade, a solidariedade…). Porém, os valores religiosos não são universais, porque mudam em cada religião. Um professor que pensa em base a uma determinada religião não deveria inocular o desrespeito pola música. Um outro professor tampouco deveria inculcar-lhe aos alunos a repressão da sua sexualidade.
As religiões, como já disse no post anterior, já há muito tempo que cumpriram com o seu labor, e actualmente são mais causa de problemas do que achegas a uma solução. No caso particular da Galiza, com competências em matéria educativa, devemos exigir que se tomem as medidas necessárias para eliminar a religião das escolas. Actualmente há muitos centros no nosso país onde proliferam crucifixos, retratos de Cristo ou da Virgem, estatuinhas de santos… na casa de cada um estão bem, mas na casa de todas (porque a Escola é a casa de todos) sobram.
Actualmente, reitero, em muitos centros do país há elementos religiosos que pertencem a um culto muito concreto. E devido a que a Escola a pagamos entre todas, todos nós deveríamos reclamar a sua retirada, já que incluir os símbolos de quanta religião há no mundo é mais do que impossível.
As ideias são livres e cada pessoa tem as suas. Estas são as minhas. Alguém concorda?
. . . . .
ADDENDA 26 de janeiro: muito obrigado ao jornal digital Vieiros por ter incluido este post no seu repaso diário do Blogomilho.
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Janeiro 24, 2007 at 19:43 · Escrito em apóstata · a choutar!
Leio, bastante surpreendido, que na Grécia, um grupo de fríkis (só assim de me ocorre qualificá-los) resgataram o culto a Zeus. Apesar de considerar estravagante a iniciativa, tampouco vou desqualificá-la porque sim. A verdade, devo reconhecer, o motivo que reuniu os seguidores de Zeus (n
eo-Zeuditas? neo-Zéusicos? neo-Zeudenses?) foi bastante nobre: a paz mundial, concórdia entre todas as pessoas do mundo… No entanto, quando me ponho a pensar em que precisamente muitos dos problemas têm o confronto de religiões como elemento-origem, ponho-me enfermo.
E haverá quem diga que não apenas as religiões, mas também as desigualdades económicas ou sociais, a exploração, o submetimento ou a falta de democracia também são causa de problemas. Não o nego, mas ninguém me negará da enormidade de problemas que trouxe a religião.
A religião ou culto ao divino (as forças sobrenaturais) tem sido útil em muitas etapas da história humana. Por uma parte, para explicar os acontecimentos que não pode explicar a limitada mente humana, tem sido útil. Pola outra, para acalmar, servir de placebo para as pessoas que sofrem.
Porém, precisamente esse último preceito foi tergiversado por algumas elites para perpetuar a sua posição dominante e continuar submetendo os segmentos de população menos favorecidos. Um servilismo (bem acolhido, por certo, polo cristianismo) que ainda hoje persiste em muitas sociedades de forma acrítica, e que se relaciona com a dependência financeira ou comercial de muitos países do mal-chamado terceiro mundo: pessoas/sociedades com carácter servil (sentimento inoculado pola via religiosa) são mais doadas de dominar e menos provável que se rebelem.
Acabar com as religiões será mais uma forma de liberar as pessoas e os povos. Consigo aceitar a religião como bálsamo, como placebo, mas nunca como fórmula para estender o submetimento, a passividade face às agressões. E, neste sentido, a ressurreição de quaisquer religiões, mesmo que só for de maneira anedótica, não é uma boa notícia.
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Janeiro 9, 2007 at 9:34 · Escrito em apóstata · a choutar!
Há poucos dias, o cardeal polonês Stanislaw Wielgus fora arcebispo de Varsóvia apesar de existirem fundadas
suspeitas de ter sido algo mais do que confidente do
KGB na Polónia durante a ditadura de
Jaruzelski. Pouco depois do seu nomeamento, uma comissão criada aos efeitos de corroborar ou desmentir tais suspeitas acabou por
confirmá-las. E agora, após a pressão mediática ao seu redor, o arcebispo/cardeal decidiu apresentar a sua
renúncia, acolhida polo Vaticano como a melhor solução.
No entanto, o que superficialmente poderia parecer um exercício de higiene democrática, coerência e prova de que o sistema funciona, não é tal, mas mais um movimento opaco que evidenciou as diferentes eivas da Igreja católica e deixa muitos interrogantes. Eis algumas questões:
- O arcebispo Wielgus renunciou ao seu cárrego somente após uma comissão certificar que foi espião do KGB. Teria renunciado se a comissão não desvendasse o seu escuro passado e os possíveis crimes que pôde cometer ao serviço do regime ditatorial?
- Antes de ser nomeado, Wielgus assegurara que nunca colaborara com a ditadura. Apenas reconheceu ter sido recrutado na sua adolescência e mais nada. No entanto, ao se demonstrar o contrário (factos que acabou reconhecendo), fica provado que Wielgus mentiu em reiteradas ocasiões. A mentira é, segundo a própria Igreja católica, um dos piores pecados. Será a renúncia o único castigo à sua conduta?
- Relacionado com o anterior, é a mentira, realmente, castigo/pecado menor segundo para quê pessoas? Recentemente, um sacerdote galego na Argentina renunciou aos hábitos e decidiu casar, e desde a sua diocese enviaram-se cartas ameaçando os seus amigos para não acudirem sob cometerem ‘pecado mortal’. É pior isto, agir por amor, ou traiçoar conhecidos e desconhecidos vendendo-os aos serviços de inteligência que sustinham o aparato repressor de uma ditadura?
- Por último, de quê serviu o labor do Vaticano que “teve em conta todas as circunstâncias vitais” do Wielgus antes de nomeá-lo? Qual foi a profundidade das suas indagações? O que descobriu a comissão que não pudesse ter sido devendado antes? Será a rigorosidade Vaticana a mesma que segue à hora de canonizar pessoas por fantásticas (em todos os sentidos da palavra) milagres?
Ficam aí, pois, estas questãozinhas de nada que vos convido a ir respondendo 
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