O passado fim-de-semana foi o II Dia do Orgulho Lusista e Reintegrata (DdoOLeR ‘08). Como todo o que podia contar da celebração já está dito no seu blogue e também o recolhi por aqui, pois o único que posso falar é de que o passámos muito bem, e como amostra o seguinte vídeo… Valençaaaaa!
Após ler esta interessante entrevista n’ANT vejo confirmada uma das minhas velhas crenças: a criação do Registo Civil foi um dos mais importantes elementos castelhanizadores (ou espanholizadores, se o preferirmos) da sociedade galega.
Por uma parte, porque homogeneizou à espanhola a forma e critérios de escolha e colocação dos apelidos. Pola outra, porque favoreceu a sua tradução ao castelhano (Rivera por Ribeira, De la Fuente por Da Fonte…) ou a burda castelhanização (Otero por Outeiro, Montoto por Montouto, Tejeiro por Teixeiro…).
Já que estamos aqui, é de salientar que pouco se tem dito da importância que teve a homogeneização à espanhola para visualizar a perda dos apelidos galegos, progressivamente sendo substituídos por outros coincidentes com o espanhol ou espanholizados.
Nos duzentos anos que leva funcionando o Registo Civil espanhol, os apelidos galegos mais frequentes foram sendo progressivamente os Rodríguez, López, Gómez ou García, todos eles coincidentes em galego ou castelhano (para lá da grafia, que tanto faz Rodríguez como Rodrigues ou García para Garcia… sempre que tivéssemos uma ortofonia, que não é o caso). A substituição é ajudada também polo menor peso da população galega entre a espanhola e a perca paulatina da ‘tradicional’ endogamia galega.
Nada disto se passou em Portugal, e apesar de Rodrigues ser um dos apelidos mais frequentes (3,59% em 2004), está a bastante distância dos Silva (9,44%), Ferreira (5,25%), Pereira (4,88%) ou Santos (5,96%)
Como exemplo, a frequência destes apelidos entre a população galega é de: Rodrigues (0,03%) / Rodríguez (8,68%), Silva (0,52%), Ferreira (0,29%, mas neste tipo de apelidos é mais frequente no país a variante masculina: Ferreiro, 0,63%), Pereira (0,89%, a forma masculina (0,2%) e Santos (0,67%, salientando o 0,013% para Dosantos e 0,06% para Dos Santos).
Como dizia, a imposição do Registo Civil forçou a que a transmissão tradicional dos apelidos que havia na Galiza (coincidente com Portugal) se substituíra pola castelhano-espanhola, o qual obrigou a colocar em primeiro lugar o primeiro apelido do pai, e em segundo lugar o primeiro da mãe.
Por sorte, quase duzentos anos depois, a lei 40/99 de 5 de Novembro flexibilizou a norma existente, e permite aos pais pactuarem previamente a ordem dos apelidos, mantendo igualmente algo que já havia desde a década de 50, que é a potestade dos filhos de alterarem a ordem após a maioria de idade.
Desde colectivos normalizadores têm salientado o interessante desta modificação legal, já que o seu uso extensivo permitira a pervivência de apelidos genuinamente galegos mas muito infrequentes. É o caso de apelidos como o meu, do que há pouco mais de um cento em todo o país.
Leio este titular: «Dous independentistas catalães, colgados de um guindaste na Sagrada Família».
Após a leitura fica a seguinte dúvida:
1.- Foram esses independentistas “colgados” talvez por uma horda de fascistas ou…
2.- Foram os próprios independentistas quem decidiram pendurar-se da Sagrada Família?
Neste caso, e já que o colgamento foi cousa dos próprios protagonistas da notícia, deveria conjugar-se adequadamente o verbo e, ainda, utilizar a forma reflexiva, mudando “colgados” por “colgam-se”.
Ainda, o verbo colgar é polissémico, podendo ter os seguintes significados:
ornar com colgaduras
pendurar
enforcar
imputar, atribuir a alguém algum acto censurável ou algum dito punível
estar uma cousa no ar pendente de outra
Assim as cousas, provavelmente o mais adequado seja utilizar um verbo mais preciso e menos polissémico, como é o caso de pendurar (prender algo de jeito que não toque no chão). Portanto, na minha opinião, o titular mais correcto seria: «Dous independentistas catalães, penduram-se de um guindaste na Sagrada Família».
Minha mai Mari Carmen Campos e minha tia sempre se perguntam porque escrevo tão esquisito, quando poderia ser como o resto, aprender, ser boinho e sobretudo escrever bem. Têm razão, as mais sempre querem o bem para os seus filhos, e eu como muitos amigos, amigas, colegas e subcolegas poderia escribir ben sen problema, seguir os ditados do correcto, dicir os reintegracionistas nas cafetarias universitarias que estou dacordo con eles, que si home si, que tender pontes culturais co Brasil sería unha boa oportunidade para a lingua e por tanto para os galegos, pero que queres che diga, temos unha norma, hai que ser disciplinados, a lingua está mal mas debemos facer país, falar galego para facer idem e xogar a ser xenerais Custer, morrendo cos socos postos.
[O itálico é meu para separar a parte isolina do texto da reintegrata… licenças que tomo por ser meu o lbogue :D]
Anxo Quintana dixit: «¿Para que serve o galego? ¿E para que serve unha nai de 82 anos, con párkinson e incapaz de moverse? Coidámola para que viva o mellor que poida porque é a nosa nai. Pois o galego coidámolo porque é noso e por principios».
… e o galego para os reintegratas:
Notável diferença :D!!
NOTA: post inspirado por e dedicado ao Miguel, o Suso, o Píchi, o Ramom, o João e o Eduardo.
Após falar de alguns custos, a seguir vou enumerar algumas vantagens de ser reintegrata:
expando os meus limites de expressão de uma comunidade de menos de três milhões de pessoas a uma global de quase 200 milhões
a palavra percebes adquire novos significados para mim
os grelos também recolhem outros matizes (por outra parte, tampouco desconhecidos na Galiza :p)
derrubo algumas fronteiras (e alfândegas) mentais, o qual me permite abordar os temas com menos preconceitos, mas ao tempo com grande cepticismo
ao ser reintegrata não apenas reintegro o galego ao tronco comum galego-português, mas penso a sociedade galega de jeito re-integrado (duplamente integrado, vamos)
ligado com o anterior, mantenho as amizades feitas de quando era isolo e, ao tempo, fui tecendo outras mui boas amizades (os reintegratas são uns cachondos, XD)
Enunciação de alguns dos custos de ser reintegrata…
na casa vem-me com um aportuguesado
minha mãe não percebe porquê quero escrever tão esquisito
como a normativa da Xunta escreve tudo xunto(Toxosoutos por Tojos Outos), e como o ñ ou o ll ocupam menos que o nh ou lh, desde que sou reintegracionista na prática dura-me menos a tinta da caneta (e tardo mais em redigir cousas no computador)
tenho duplicidade de normas e de normativas na minha cabeça e constantes equívocos internormativos na minha cabeça, pois para o trabalho estou obrigado a usar a norma oficialista
todas as minhas conversas sobre a Galiza, o nacionalismo ou a língua tendem a derivar sobre o dualismo isolacionismo vs reintegracionismo (Lei de Berto)
Galeguzo : Cache Maria, agora que me ia desintoxicar dos blogues... voooou!
maría : nominado quedas a un memo... polo meu blogue tes as instruccións
Galeguzo : Maaaano! ;D
maninho : maninho
Galeguzo : Pois obrigado por testares este trebelho... ainda que vou ter de procurar algo melhor que me acresça as datas
Um outro que se pa : Pouca cousa. Apenas parabéns pelo blogue. Queria provar o trevelho...
Galeguzo : 28 de Abril: O Pasquim n.º 10 já está nas bancas do país, oh yeah (mais uma vez)!
Galeguzo : 23 de Abril: esta noite maqueta-se O Pasquim, oh yeah!
Galeguzo : Pois nem ideia, María :p
Maria : Unha pregunta, nos hospitais galegos (en concreto nos de Vigo) hai Wifi?
Galeguzo : testando se isto furrula após a actualização
Galeguzo : Ei galega! onde põe "guest_números" tendes de pôr o vosso nome (se quiserdes, é claro [escrevi a 9 de Abril]
Flip' : ai galera
guest_3461 : nov
guest_3461 : iai
María : boh, sintome mal... vale que coa miña avoa non me levo pero se o lee vou ter problemas en fin, a ver se así aprende un anaquiño dos meus gustos Obrigado pola nominación
Galeguzo : @maria: hehehe
María : Bem... xa tes o meu meme no meu blogue... por certo, espero que os aludidos non lean o meu blogue
Galeguzo : Ala, mais casórios na minha família :-s
Maria : Pero eso, creo que non e novo, creo que foi en agosto ou tal vez en Xullo, non sei que papeis tiven que arranxar no UXA e na fotocopiadora que hai enriba do rincon de vagar, unha senhora, estaba comentando que ela traballaba para unha coperativa, que estaban subindo o prezo do leite e que eles non vian nengun so centimo desa subida, ainda por riba, agora entraba no grupo de autonomos e non estaban nada ledos. E polo de actualizar o meu blogue... e por darlle un toque mais cultural... hehehe Beij
Galeguzo : E com queres que actualize o teu blogue :)? A imagem é dos protestos dos produtores de leite, para quem o custo de tudo subiu, e ainda por riba querem-lhes pagar menos polo leite
María : oes... que eu teño unha conexion peor cas tercermundistas e non podo ver a foto que puxeches hoxe... e xa de paso, cando teñas un anaquiño, podías actualizar o meu blogue, que está máis parado que a poboación española... bicos
Galeguzo : Sexta-feira 7 de Março às 20h, TOD@S no Obelisco da Corunha! Convoca: «link»
Galeguzo : Ainda com jet-lag de Madrid (que vivem a uma hora mais do que nós :p)
Galeguzo : Vendo/ouvindo o debate a três bandas na TVG
Galeguzo : Cumprirá "beliscá-los" bem! Cada vez que os escuito ou leio dá-me uma raiva tremenda, quase dão ganas de emigrar para não saber mais nada deste país :-s
xo : é só por provar o aparelho e dizer que nos vemos na zona do belisco o 7M.
Galeguzo : Tenho q ver se a este cacharro lhe podo indicar quanto se escreveu tal ou qual mensagem, que se não é um pouco 'enútil'
Galeguzo : Novo, novo
araldeira : Glub! um trebelho novo!
Galeguzo : Precisas um computador? Pede-lho a Zapatero: «link»
Galeguzo : Saúdos, "Odemo" Agora mesmo estou a ouvir uma interessante entrevista sobre topónimos do país na Rádio Galega